10 Hábitos de Liderança Pastoral que, Silenciosamente, Prejudicam uma Igreja (Tradução)

 


A frequência à igreja entre a Geração Z e os millennials quase dobrou desde 2020, segundo o Barna Group. Os jovens adultos estão aparecendo. A questão é: o que eles encontram quando chegam?

As pesquisas de Barna para 2026 apontam para uma distância cada vez maior: a curiosidade espiritual está crescendo mais rapidamente do que a formação espiritual. Dois terços dos adultos norte-americanos afirmam ter assumido um compromisso pessoal com Jesus, mas hoje menos pessoas dizem que sua fé molda a vida cotidiana do que há 25 anos. Os hábitos da liderança pastoral ampliam essa distância, uma pequena escolha de cada vez.

Passei quase duas décadas no ministério pastoral, tempo suficiente para assistir ao surgimento e desaparecimento de várias teorias sobre o declínio das igrejas. Abuso, apostasia, afastamento cultural. Cada uma delas explica parte do cenário. Mas existe um fator mais silencioso, que recebe menos atenção: os hábitos cotidianos dos próprios pastores — pequenas escolhas sobre aquilo que uma igreja prioriza e que, ao longo dos anos, vão se acumulando.

Nada disso pressupõe que algum pastor tenha tudo resolvido — eu inclusive. Trata-se de um convite para olhar honestamente para dez hábitos que tendem a esvaziar uma igreja por dentro, mesmo quando, no papel, a frequência aos cultos parece saudável.

1. Administrar programas em vez de fazer discípulos

Thom Rainer e Eric Geiger apresentaram esse argumento anos atrás em seu livro Simple Church, defendendo que a complexidade mata mais igrejas do que os conflitos. O princípio continua válido. Uma agenda lotada de classes, grupos e eventos pode criar uma aparência de profundidade enquanto, na prática, produz muito pouco dela.

A pesquisa de Barna para 2026 constatou que o interesse espiritual está aumentando, enquanto a maturidade espiritual não acompanha esse crescimento. Uma igreja pode manter uma programação semanal intensa e, ainda assim, praticamente não estar formando ninguém. Confundir participação em programas com formação de discípulos é o caminho para que uma agenda cheia produza uma fé superficial.

2. Pregar autoajuda em vez de ensinar a Bíblia

Sermões temáticos têm seu lugar. Quando usados ocasionalmente, podem reduzir as barreiras para alguém que está experimentando frequentar uma igreja pela primeira vez. Quando se tornam a dieta habitual, porém, treinam a congregação a esperar recompensas emocionais em vez de fundamentação bíblica.

Essa lacuna está aparecendo em um lugar inesperado. Quase metade dos cristãos praticantes hoje utilizam ferramentas de inteligência artificial em busca de orientação espiritual, sem qualquer pastor ou teólogo participando desse processo, e aproximadamente um terço afirma confiar nessas orientações tanto quanto confia nas orientações de seu pastor. As pessoas não abandonaram a busca por profundidade. Elas estão procurando essa profundidade em outros lugares quando o púlpito deixa de oferecê-la.

3. Administrar a igreja como um CEO em vez de liderá-la como um pastor

Um pastor é chamado para uma vida estruturada em torno da oração e do estudo das Escrituras, e o restante do ministério deve fluir a partir daí. Esse é o modelo apresentado em Atos 6.4, quando os apóstolos delegam responsabilidades administrativas especificamente para permanecerem dedicados à oração e ao ensino. 1 Pedro 5 também descreve essa função em termos de pastoreio, e não de gestão executiva.

Em algum momento do caminho, muitos pastores adotaram uma descrição de função diferente. O ChurchLeaders já escreveu sobre a tendência de administrar uma congregação como uma empresa, com KPIs, organogramas e metas de crescimento. Administrar uma congregação e pastoreá-la não são a mesma coisa, e essas duas funções apontam em direções diferentes com muito mais frequência do que os líderes gostam de admitir.

A correção passa por dedicar menos horas à administração do organograma e mais tempo ao texto bíblico e às pessoas.

4. Construir um palco maior em vez de ministrar às pessoas que já estão ali

Anos atrás, Richard Dawkins perguntou diante das câmeras ao pastor de megaigreja Ted Haggard por que sua igreja precisava de um sistema de som comparável ao de uma grande turnê musical apenas para ensinar as pessoas sobre Deus. Continua sendo uma pergunta justa. A produção custa dinheiro, e esse dinheiro precisa vir de algum lugar.

Desde então, a cultura da celebridade cristã sofreu fortes abalos. A queda de Carl Lentz, da Hillsong, em 2020, é apontada por muitos como o momento em que o modelo do “pastor de plataforma” rachou publicamente. A autora Katelyn Beaty atribui o problema a um sistema que recompensa mais a visibilidade do que a formação espiritual. Justin Bieber expressou algo semelhante com suas próprias palavras, alertando cristãos mais jovens contra a construção de sua fé em torno da plataforma de uma única pessoa.

Francis Chan é um contraponto que merece ser estudado. Ele não apenas falou sobre se afastar de uma máquina de crescimento. Em 2010, deixou uma congregação de 5 mil pessoas, dizendo claramente que, se Jesus ou Paulo liderassem uma igreja em sua cidade na Califórnia, “a minha seria maior, e isso está me incomodando”. Desde então, tem dedicado seus anos à construção de uma rede de pequenas igrejas nos lares que se reproduzem, em vez de construir uma igreja cada vez maior.

Um pastor plantar uma nova igreja por causa de um chamado genuíno é uma resposta legítima ao problema de simplesmente construir celeiros maiores. Outra resposta é simplesmente perguntar se a próxima campanha de arrecadação para expansão realmente serve à missão ou apenas à plataforma.

5. Perseguir crescimento em vez de glorificar a Deus

Não existe nenhum versículo ordenando aos pastores que façam suas igrejas crescerem. Existe, sim, uma ordem clara para fazer discípulos e levar o evangelho adiante, o que é algo diferente. Paulo colocou isso de maneira simples: ele plantou, Apolo regou, mas Deus foi quem deu o crescimento. Os números nunca foram o centro da metáfora.

Perseguir números como um fim em si mesmo produz um tipo específico de pastor: aquele que interpreta um gráfico de frequência em queda como fracasso pessoal e um gráfico em crescimento como validação pessoal, independentemente do que realmente esteja acontecendo na vida das pessoas. O orgulho explica esse impulso melhor do que a obediência, na maioria das vezes.

6. Construir um ministério com pessoas em vez de construir pessoas por meio do ministério

Certa vez, um pastor de megaigreja me disse, claramente acreditando estar me oferecendo um conselho útil, que eu deveria pensar nos membros da igreja em ciclos de sete anos, porque a maioria das pessoas acaba se esgotando e indo embora por volta desse período; portanto, um líder deveria extrair delas tudo o que pudesse antes que isso acontecesse. Nunca consegui esquecer o quanto aquilo me pareceu transacional.

Jesus estabeleceu essa diferença por conta própria. Um empregado não é o pastor e não é dono das ovelhas; portanto, quando o lobo aparece, ele foge, porque aquelas ovelhas nunca foram realmente dele para proteger. Um pastor que verdadeiramente considera o rebanho sob sua responsabilidade age de maneira diferente quando enfrenta pressão. Esse é o teste que vale a pena aplicar a qualquer estratégia ministerial: ela trata as pessoas como o objetivo ou como combustível para alguma outra coisa que o pastor está construindo?

7. Cultivar dependência de si mesmo em vez de construir uma comunidade verdadeira

Dependência espiritual de Cristo é exatamente o que as Escrituras pedem. Dependência de um pastor, não. No entanto, as duas coisas são confundidas com mais frequência do que os líderes das igrejas gostariam de admitir.

Um pastor que entra em esgotamento, muda de cidade ou é afastado por má conduta deixa um vazio que nenhuma pessoa deveria ter sido capaz de criar sozinha. Cristo concedeu pastores e mestres para capacitar os crentes para a obra do ministério, para que todo o corpo amadureça junto — e não para que as pessoas permaneçam indefinidamente dependentes de um único líder. Uma igreja construída dessa maneira sobrevive à saída de seu pastor, porque as pessoas nunca estiveram apoiadas exclusivamente nele.

8. Ler a Bíblia literalmente em vez de lê-la como literatura

Essa é uma questão relacionada à maneira como as Escrituras são interpretadas, e a própria Bíblia sustenta essa distinção. Ela é uma biblioteca composta por diferentes gêneros — poesia, lei, narrativa, carta e profecia —, e um versículo assume significados diferentes quando é lido dentro de seu próprio gênero literário, em vez de ser retirado de seu contexto e colocado ao lado de versículos sem relação entre si apenas para construir determinado argumento.

Esse tipo de tratamento cuidadoso das Escrituras importa ainda mais — e não menos — numa época em que um chatbot consegue gerar, em poucos segundos, uma resposta aparentemente segura para qualquer pergunta bíblica. Manejar corretamente a palavra da verdade exige estudo de verdade, e não apenas a capacidade de localizar um versículo que concorde com uma conclusão à qual alguém já chegou anteriormente.

9. Alimentar o consumismo em vez de confrontar a idolatria

Um pastor que procura satisfazer todas as preferências da congregação está desempenhando o mesmo papel de um pai que dá a uma criança tudo o que ela quer para evitar uma crise. Isso compra paz no curto prazo e constrói um problema no longo prazo.

O argumento central de Tim Keller em Deuses Falsos continua sendo diretamente aplicável aqui: o coração humano não deixa de adorar; ele simplesmente redireciona sua adoração para o conforto, a imagem ou o controle quando não está direcionado para Deus. Igrejas podem construir os mesmos ídolos por meio de programas, prédios e plataformas que indivíduos constroem por meio do dinheiro ou do status. Paulo perguntou se estava tentando conquistar a aprovação das pessoas ou a aprovação de Deus, porque não poderia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Uma igreja também não pode.

10. Tratar a igreja como um degrau para alguma coisa maior em vez de como algo confiado por Deus

Deus move pessoas. Os pastores têm todo o direito de plantar uma nova igreja, assumir outra função ou atender a outro chamado quando genuinamente compreendem que é para lá que Deus os está conduzindo.

Algo completamente diferente, porém, é tratar uma congregação como plataforma de lançamento para construir uma marca ou projeção pessoal, em vez de enxergá-la como algo confiado aos cuidados do pastor durante determinada fase de sua vida. Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que cuidassem do rebanho sobre o qual o Espírito Santo os havia colocado, um rebanho que Deus adquiriu por um preço infinitamente maior do que o tempo de permanência de qualquer pastor naquele cargo. A igreja nunca foi o plano alternativo de ninguém. É a instituição que Cristo morreu para edificar.

O que tudo isso significa para os pastores neste momento

Os jovens estão voltando às igrejas em um ritmo que provavelmente surpreenderia a maioria dos líderes ministeriais cinco anos atrás. Isso representa uma oportunidade real, não um resultado garantido. Se essa curiosidade se transformará em discipulado duradouro ou desaparecerá, como outros aumentos de frequência já desapareceram no passado, dependerá menos de apresentações estratégicas e mais dos dez hábitos apresentados acima.

Vinte versículos bíblicos sobre liderança podem ser um bom ponto de partida para uma autoavaliação honesta à luz das Escrituras, e não à luz da tendência de liderança do momento. E, se aquilo que você leu nesta lista parece ter menos relação com prioridades mal colocadas e mais com puro esgotamento, isso também precisa ser reconhecido. A recuperação do burnout pastoral começa por admitir com qual desses problemas você realmente está lidando.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o maior sinal de que a liderança de um pastor está prejudicando a igreja?

Observe se existe uma distância crescente entre atividade e formação espiritual. Um pastor cuja igreja mantém uma agenda cheia de programas, mas cujas pessoas não conseguem expressar convicções bíblicas básicas, está administrando frequência, e não fazendo discípulos.

Como saber se um pastor deixou de ser apenas imperfeito e passou a ser prejudicial?

Fraquezas comuns são diferentes de padrões de controle. Se um pastor pune quem discorda, isola seus críticos ou se recusa a prestar contas a pessoas de fora de sua estrutura de autoridade, isso já ultrapassou uma simples questão de estilo de liderança e entrou no território abordado em nosso levantamento dos sinais de alerta de abuso espiritual.

Um pastor deve administrar uma igreja como uma empresa?

Alguns princípios de gestão empresarial — orçamento, planejamento e comunicação clara — ajudam qualquer organização a funcionar melhor. Os problemas começam quando indicadores de crescimento substituem a formação de discípulos como objetivo, já que as Escrituras nunca apresentam o crescimento numérico como a missão da igreja.

Por que tantos pastores estão sofrendo de burnout atualmente?

Dados recentes da Lifeway Research constataram que 57% dos pastores descrevem sua função como frequentemente exaustiva ou esmagadora, e dois terços ainda sentem que existe a expectativa de que estejam disponíveis 24 horas por dia. A falta de limites claros entre o chamado pastoral e uma disponibilidade irrestrita é um dos principais fatores que contribuem para esse esgotamento.

Qual é a diferença entre crescimento da igreja e discipulado?

O crescimento mede frequência e números. O discipulado avalia se as pessoas estão se tornando mais semelhantes a Cristo, tanto em suas convicções quanto em sua vida cotidiana, e não apenas se estão comparecendo com maior frequência. Uma igreja pode crescer numericamente e, ao mesmo tempo, praticamente não formar discípulos — exatamente a lacuna que as pesquisas atuais continuam identificando.

Scott Postma - é um humanista cristão que vive com sua família no norte de Idaho. Depois de 20 anos atuando como plantador de igrejas e educador cristão, atualmente dedica seu tempo à escrita e ao ensino, compartilhando reflexões sobre artes e humanidades e perspectivas relevantes sobre fé e cultura. Você pode acompanhá-lo em scottpostma.net.


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